Uma reflexão sobre as causas da desigualdade

Planejamento Estratégico Situacional

Para estabelecer o posicionamento do grupo sobre o infortúnio da desigualdade foi realizada inicialmente uma oficina, com a presença de seus membros e de convidados e dois palestrantes da área de economia e seus reflexos sobre a sociedade. A metodologia adotada na oficina foi o Planejamento Estratégico Situacional – Método PES, criado pelo economista chileno Carlos Matus, para o planejamento no campo público.

O método propõe que um ator social (individual ou coletivo) destaque do contexto um problema, ou seja, um aspecto da realidade com o qual não concorda e se dispõe a enfrentar. No presente caso o ator que declara o problema é o grupo “Em Movimento, pela Democracia”, que o expressou da seguinte forma: “As políticas públicas não estão sendo eficazes na redução da desigualdade que flagela o país”.

A seguir, na oficina foram discutidos e definidos os descritores do problema, como segue:

 

d1 - Extrema desigualdade econômica

d2 - Desigualdade no exercício da cidadania

d3 - Dificuldade no acesso à infraestrutura e serviços urbanos

e aventadas as suas causas.

Após a oficina foram estabelecidos indicadores qualificáveis ou quantificáveis para os descritores, capazes de medir suas reais dimensões no momento do planejamento e de permitir o ulterior monitoramento da realidade que se quer alterar, avaliando a eficácia das ações desenvolvidas e, portanto, o seu impacto. Em seguida, a partir dos produtos da oficina, foram sistematizadas as principais causas do problema, a seguir elencadas.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Durante o planejamento foi ressaltada a importância maior de duas causas: as deficiências na educação (3) e  o sistema tributário regressivo e disfuncional (1).

 

Após esses trabalhos foram estudadas as correlações, que permitiram a determinar as interdependências entre causas e efeitos. Essas informações deram origem aos diagramas causais apresentados abaixo, que são subsídios essenciais para identificar as ações para modificar a realidade

Nota importante: É necessário ter em mente que um ator (individual ou coletivo) orienta suas decisões e ações a partir de sua própria e particular leitura e interpretação da realidade e não mediante um diagnóstico elaborado por si mesmo ou por terceiros. O produto dessa análise é situacional e viesado pelo código de personalidade e portanto pela forma como interpreta a questão. Por isso, ao contrário do que pretendem muitos diagnósticos, o resultante não é científico ou “correto”, o que seria impossível concluir, por se tratar de problema causado pelo complexo jogo social, muito menos isento do que uma práxis cartesiana. A explicação fruto do debate resulta do acordo dos participantes e é crivada pelo conjunto de seus valores, ideologias e marcos ético-morais.

  1. Legislação tributária regressiva e disfuncional 
     

  2. Mercado de trabalho

     

  3. Sistema educacional excludente e de baixa qualidade
     

  4. Elevado grau de desinformação da população
     

  5. Aparato estatal elitista, preconceituoso e ineficiente 
     

  6. Políticas sociais têm baixa qualidade e não são prioritárias
     

  7. Representação política não reflete a composição da sociedade
     

  8. Sociedade brasileira é preconceituosa
     

  9. Estrutura urbana iníqua

Regressividade; forma de cobrança e alíquotas sobre renda e patrimônio; isenções fiscais; elisão fiscal; financiamento e retribuição da seguridade social

Baixa produtividade; acesso limitado ao mercado formal; informalidade e precariedade; revogação de direitos e garantias; altos índices de desemprego.

Insuficiente acesso a creches e educação infantil; a educação de qualidade; ao ensino médio e superior

 

Desconhecimento de direitos; comunicação falha ou inexistente; dificuldade no acesso a informações; embaraços no processamento de dados 

Estrutura elitista e excludente; problemas no desenho e implementação de políticas, cultura insensível dos RH (da cúpula ao "chão de fábrica")  

Baixa prioridade; poucas ações afirmativas / inclusivas; recursos financeiros insuficientes; baixa eficácia e efetividade

Sub representação dos setores menos favorecidos no Legislativo, Executivo e Judiciário

Preconceitos de gênero, cor, etnia, orientação sexual e identidade de gênero, extrato social

Deficiências de moradia, saneamento, arborização, cultura e lazer; elevado tempo e custo do transporte; baixa oferta de empregos próximos das moradias

Causas                                                                    Fatores

Os resultados do Planejamento Estratégico Situacional orientaram o posicionamento político do grupo "Em Movimento, pela Democracia, exposto no documento "Um país castrado pela desigualdade", que pode ser acessado aqui neste site.   

Relações entre as cadeias causais - Fluxograma geral

Dada a complexidade do problema da desigualdade, muitas cadeias causais comunicam-se umas às outras. Observar que das 9 causas 5 delas impactam diretamente o conjunto dos descritores. Para facilidade de visualização, as cadeias que alimentam essas 5 causas foram destacadas e estão apresentadas abaixo, após este fluxograma geral.

Destaque das cadeias alimentadoras das 5 causas que impactam os descritores 

Legislação tributária regressiva e disfuncional

Aparato estatal preconceituoso e ineficiente

Mercado de trabalho excludente 

Políticas sociais têm baixa qualidade e não são prioritárias 

Estrutura urbana iníqua